Hoje, disse que não escrevo por que estou feliz.
O que fazer...
Estou feliz.
Feliz com o acordar de manhã e pedalar ouvindo minhas músicas.
Observar as pessoas no metrô pela manhã rumo ao trabalho.
Curtir a espera da surpresa desejada.
Sentir a energia que circula pelo corpo.
A inexplicável fé no futuro e a compreensão de que
o presente é o que tem que ser e, ponto.
Sentir o amor, tocar o vento, sonhar, desejar, ser eu mesma.
Ser eu mesma e compartilhar com os amigos.
Ter a coragem de ser irresponsavelmente como sempre quis ser e acreditar que posso tudo.
Sem dramas, sem obstáculos, sem sofrimento.
Com tantas distrações, esqueci de escrever.
Fui viver.
domingo, 7 de novembro de 2010
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Ferreira Gullar
Dois e dois: quatro
Como dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
embora o pão seja caro
e a liberdade pequena
Como teus olhos são claros
e a tua pele, morena
como é azul o oceano
e a lagoa, serena
como um tempo de alegria
por trás do terror me acena
e a noite carrega o dia
no seu colo de açucena
- sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
mesmo que o pão seja caro
e a liberdade, pequena.
Como dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
embora o pão seja caro
e a liberdade pequena
Como teus olhos são claros
e a tua pele, morena
como é azul o oceano
e a lagoa, serena
como um tempo de alegria
por trás do terror me acena
e a noite carrega o dia
no seu colo de açucena
- sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
mesmo que o pão seja caro
e a liberdade, pequena.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Antes da coisa toda começar
Conheci o Armazém em 2001 e na época, me identifiquei com aquele texto humano, voraz e preciso que invadia a privacidade dos meus pensamentos de uma maneira, que eu não conseguia acreditar como podia ser tão eu. Embarquei na viagem e passei a seguir a caravana.
Ontem fui ver o novo espetáculo, uma história onde as personagens escancaram nossos sentidos mais profundos, secretos, numa onda de emoções que vai da tristeza à alegria passando pela aflição da realidade e pelo cômico das situações comuns cotidianas. Mais uma vez, ri, chorei, me identifiquei com fragmentos de emoção que juntos, embaralhados no tempo e no espaço, contavam histórias de pessoas comuns, com desejos e medos. A música aparece desta vez tocada em cena e com uma presença coadjuvante que permeia diálogos, marca referências, veste as personagens de identidade e cria um clima intenso e poético. O cenário, dinâmico, bem pensado e explorado pelos atores, impressiona e cria belas surpresas junto com a luz e as projeções.
Fiquei mais uma vez grata à Companhia por mais esse presente.
domingo, 17 de outubro de 2010
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Dilúvio
...
"Reza, reza o rio
Córrego pro rio
Rio pro mar
Reza correnteza
Roça a beira
A doura areia...
Marcha um homem
Sobre o chão
Leva no coração
Uma ferida acesa
Dono do sim e do não
Diante da visão
Da infinita beleza...
Finda por ferir com a mão
Essa delicadeza
A coisa mais querida
A glória, da vida..."
-------------------------------------
Fico só observando e me admiro de ver.
Quem é essa?
De onde veio?
Espera, me explica!
O rio flui em águas fartas e rompe com a represa de anos.
Do alto da torre de comando só observo e desfruto
com surpresa e prazer.
Cada dia uma nova luz se deslumbra.
Não só as azuis, mas também as verdes e vermelhas
que noutros tempos não brilhavam.
Sob o sol ou na tempestade,
o corpo vai seguir seu caminho.
Saltando entre as pedras, brincando e voando até, sem fôlego, encontrar lá adiante a alma fujona, rindo distraída.
"Reza, reza o rio
Córrego pro rio
Rio pro mar
Reza correnteza
Roça a beira
A doura areia...
Marcha um homem
Sobre o chão
Leva no coração
Uma ferida acesa
Dono do sim e do não
Diante da visão
Da infinita beleza...
Finda por ferir com a mão
Essa delicadeza
A coisa mais querida
A glória, da vida..."
-------------------------------------
Fico só observando e me admiro de ver.
Quem é essa?
De onde veio?
Espera, me explica!
O rio flui em águas fartas e rompe com a represa de anos.
Do alto da torre de comando só observo e desfruto
com surpresa e prazer.
Cada dia uma nova luz se deslumbra.
Não só as azuis, mas também as verdes e vermelhas
que noutros tempos não brilhavam.
Sob o sol ou na tempestade,
o corpo vai seguir seu caminho.
Saltando entre as pedras, brincando e voando até, sem fôlego, encontrar lá adiante a alma fujona, rindo distraída.
sábado, 25 de setembro de 2010
Desejo
Quero a verdade absoluta
o espelho que me fez ver quem eu era
que me permitiu sentir sem esforço
que levou e ainda não me devolveu
que eu nem sei se existe mas
que por alguns instantes estava lá
bem na minha frente
o espelho que me fez ver quem eu era
que me permitiu sentir sem esforço
que levou e ainda não me devolveu
que eu nem sei se existe mas
que por alguns instantes estava lá
bem na minha frente
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Geraldo Carneiro
À flor da Fala
é daqui mesmo que eu te conheço?
ah, não? então de que outro lugar será
que eu não te conheço? se eu fosse místico
talvez redecifrasse a tua face
de alguma encarnação imemorial
(ou desde o princípio dos tempos,
antes que os deuses desinventassem
os carnavais do caos).
mesmo não sendo místico diria
desse pequeno prenúncio de apocalipse:
agora sim compreendo a música das esferas,
os teoremas de Arquimedes de Siracusa,
a mecânica celeste, e todos os demais
mistérios do reino deste mundo: só quero
conhecer-te ainda nesta encarnação:
antes que a minha alma improvável
se arremesse na província do nada,
a morada dos seres sem amor
-------------------------------------------
Para aquele que me fez perder o medo de mergulhar no mar sem fim
é daqui mesmo que eu te conheço?
ah, não? então de que outro lugar será
que eu não te conheço? se eu fosse místico
talvez redecifrasse a tua face
de alguma encarnação imemorial
(ou desde o princípio dos tempos,
antes que os deuses desinventassem
os carnavais do caos).
mesmo não sendo místico diria
desse pequeno prenúncio de apocalipse:
agora sim compreendo a música das esferas,
os teoremas de Arquimedes de Siracusa,
a mecânica celeste, e todos os demais
mistérios do reino deste mundo: só quero
conhecer-te ainda nesta encarnação:
antes que a minha alma improvável
se arremesse na província do nada,
a morada dos seres sem amor
-------------------------------------------
Para aquele que me fez perder o medo de mergulhar no mar sem fim
Assinar:
Postagens (Atom)

