sábado, 25 de fevereiro de 2012

Lope de Vega


Desmayarse, atreverse, estar furioso,
áspero, tierno, liberal, esquivo,
alentado, mortal, difunto, vivo,
leal, traidor, cobarde, animoso,

no hallar, fuera del bien, centro y reposo,
mostrarse alegre, triste, humilde, altivo,
enojado, valiente, fugitivo,
satisfecho, ofendido, receloso.

Huir el rostro al claro desengaño,
beber veneno por licor süave,
olvidar el provecho, amar el daño;

creer que un cielo en un infierno cabe,
dar la vida y el alma a un desengaño:
esto es amor. Quien lo probó lo sabe.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Tempo de muda

A musica repete pela enésima vez
presto atenção nos vultos do metrô
o passos
o percurso
a escada
penitência escolhida
como se a dor na musculatura me lembrasse que estou viva.
Foi só mais uma casca.
mais uma...
a pele fina ainda inspira cuidados.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Meia hora






Meia hora de atenção
Meia hora de dedicação
Meia hora consumida em nada
Meia hora concedida aos pés
Meia hora dormida
Meia hora roubada
Meia hora perdida
Meia hora de história
Meia hora é pouco
Meia hora é o que basta, o resto é consequência.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Ouvindo Drexler














"Cada uno da lo que recibe
Y luego recibe lo que da,
Nada es más simple,
No hay otra norma:
Nada se pierde,
Todo se transforma.
El vino que pagué yo,
Con aquel euro italiano
Que había estado en un vagón
Antes de estar en mi mano,
Y antes de eso en torino,
Y antes de torino, en prato,
Donde hicieron mi zapato
Sobre el que caería el vino.
Zapato que en unas horas
Buscaré bajo tu cama
Con las luces de la aurora,
Junto a tus sandalias planas
Que compraste aquella vez
En salvador de bahía,
Donde a otro diste el amor
Que hoy yo te devolvería"

domingo, 25 de dezembro de 2011


Um mês
Tempo passado em nuvens de absurdos
Nesse tempo, me apressei em equilibrar os pratos que sobraram na bandeja.
Sem prestar atenção, fui deixando o tempo curar o estrago causado pelas irresponsabilidades da alma.
Por vezes, quando prestes a perceber o vazio, virava a cara e olhava para outro lado, sem querer contar os minutos sem sua presença.
Sua não presença é tão absurda quanto sua presença ausente de hábito, o que me faz não compreender o que aconteceu e igualmente não posso explicar o que ainda me prende.
O som que vem de dentro ainda espera uma resposta mesmo que de um eco vago no escuro.
O limo do fundo, revolvido com a maré ainda não assentou.
Ainda passa em nuvens de desgosto e de uma realidade propositadamente ignorada, nublando um sentimento em que eu acreditava ou pensava acreditar.
Por vezes, um delírio se instala e quer tudo de volta. Mas a memória é cruel e me arremessa de volta à realidade da parede com toda força.
É quando dói.
...ainda...


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Mais um conto para distrair a morte

O dia difícil, dolorido, ganhara uma tempestade ensurdecedora.
Ali, presa entre os livros, a chuva lá fora e os ventos aqui dentro,
me peguei pensando qual o significado de tudo aquilo.
Um trovão pareceu me dizer
Renda-se!
Desista!
Pare!
Depois da chuva, me encontro com o que fora arrastado pela água.
Mais a deriva do que nunca, voltei pra casa sem mim.
Me deixei vagando pela rua, devastada, a procura dos pedaços do que eu mesma parti.
Dormi afogada pelos meus pesadelos e acordei cinza.
Segui mecânicamente mais um dia desejando em vão voltar para o sonho.
Ainda perdida, apelo a Cherazade e conto mais uma noite.
Agora estou aqui novamente sem rumo, sem vento, sem chuvas, sem mim,
que saí pela porta e não sei quando vou voltar.


Sempre em desassossego me encontro


[10]
E assim sou, fútil e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma. Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa; uma impaciência da alma consigo mesma, como com uma criança inoportuna; um desassossego sempre crescente e sempre igual. Tudo me interessa e nada me prende. Atendo a tudo sonhando sempre; fixo os mínimos gestos faciais de com quem falo, recolho as entoações milimétricas dos seus dizeres expressos; mas ao ouvi-lo, não o escuto, estou pensando noutra coisa, e o que menos colhi da conversa foi a noção do que nela se disse, da minha parte ou da parte de com quem falei. Assim, muitas vezes, repito a alguém o que já lhe repeti, pergunto-lhe
de novo aquilo a que ele já me respondeu; mas posso descrever, em quatro palavras fotográficas, o semblante muscular com que ele disse o que me não lembra, ou a inclinação de ouvir com os olhos com que recebeu a narrativa que me não recordava ter-lhe feito. Sou dois, e ambos têm a distância – irmãos siameses que não estão pegados.


O livro do desassossego
FP