domingo, 6 de abril de 2008

Do outro lado

quem está do outro lado, ninguém sabe.
se vai correr e te alcançar
ou se vai partir e te deixar com um buraco no ego
ou só com um pouco de saudade
daquilo que poderia ser e não foi
como saber
não dá pra não viver o susto
não esperar acordar com gosto de domingo na boca
com o sopro dentro do estômago
e o desejo de seguir uma trilha imaginária
tudo isso em segundos
antes de abrir a página do dia e seguir noutro caminho

domingo, 23 de março de 2008

gêmeos

para os geminianos, as contradições são comuns.
Quer este ou aquele?
Gostamos de ambos.
Tudo tem um gosto especial, diferente.
Mesmo o amargo tem um prazer escondido e nas escolhas difíceis sempre há algo a aprender.
Sempre queremos tudo muito e no fim queremos também a paz de quem não quer nada.
Eu já vivi um bocado de coisas, escolhidas ou não, e ainda quero outras tantas.
A lista começa e já muda de página...faltam horas no dia pra tanta vontade.
Mas o q importa é que aprendi a escolher, e dar importância as escolhas feitas
sabendo q outra foi deixada pra depois ou pra nunca mais... pelo menos nesta vida.

sexta-feira, 21 de março de 2008

outras palavras

Noite Severina
(Lula Queiroga / Pedro Luís)

Corre calma, severina noite
De leve no lençol que te tateia a pele fina
Pedras sonhando pó na mina
Pedras sonhando com britadeiras
Cada ser tem sonhos à sua maneira
Cada ser tem sonhos à sua maneira
Corre alta, severina noite
No ronco da cidade, uma janela assim acesa
Eu respiro o teu desejo
Chama no pavio da lamparina
Sombra no lençol que te tateia a pele fina
Sombra no lençol que te tateia a pele fina
Ali, tão sempre perto, e não me vendo
Ali sinto tua alma a flutuar do corpo
Teus olhos se movendo, sem se abrir
Ali, tão certo e justo e só ti sendo
Absinto-me de ti, mas sempre vivo
Meus olhos te movendo sem te abrir
Corre solta suassuna noite
Tocaia de animal que acompanha a sua presa
Escravo da sua beleza
Daqui a pouco o dia vai querer raiar
Daqui a pouco o dia vai querer raiar...

segunda-feira, 17 de março de 2008

Almirante I


Janeiro, 2007
voltei
outro apartamento, outro andar
agora varanda e jardim
na mão, chave, trena e caderno...
cai o bilhete no chão.
"Seja Bem Vinda de Volta!"
Foi a melhor coisa que senti nos últimos tempos.
O bilhete? era de outra pessoa por outro motivo, apenas foi usado pela segunda vez.

domingo, 16 de março de 2008

o mar

o mar,

massa de água que se molda

dançando com o vento sem se misturar
a ilha feito baleia gigante soprando o ar pelo coqueiro

as pedras, cantando sob a ponte

me servem de memória

...da gávea o menino grita "Terra à vista!!"

é isso
momentos de ansiedade...o que vem por ai?
a bagagem está transbordando, a mala não fecha
não é pra fechar mesmo
se alguma meia se perder, vai esquentar o pé de outra pessoa...
não se perdeu, se encontrou
é isso