domingo, 4 de setembro de 2011

Tartaruga, Mãe Terra

Hoje cedo, tomei coragem e fui pedalar tentando buscar forças para encarar meu domingo de trabalho. 
Céu azul, friozinho de inverno ainda, se eu ficasse em casa correria serio risco de ficar de pijamas o dia todo. Precisava da energia para o trabalho. Energia mais mental que física.
Peguei a bike, o celular já estava com os fones prontos e fui.
O aterro lotado, fui guiando devagar dei minhas voltas de rotina e encerrei na Kombi do coco, onde sempre paro para hidratar. Sempre tem algum grupo de formandos fazendo a clássica foto de turma em frente ao Pão de açúcar, hoje não foi diferente. Comprei meu coco e sentei na mureta da beira das pedras. Estava cheio de gente, mas eu só ouvia a música dos fones. Fiquei ali olhando o mar e dali a pouco ela surgiu. Botou a cabeça pra fora d´água para respirar deu um mergulho e sumiu. Era uma enorme tartaruga!!! Fiquei ali esperando. Olhei em volta, ninguém parecia ter notado sua aparição. Ou então eu é que não estou acostumada com o fato e me senti privilegiada. Depois de uns minutos, lá veio ela de novo, e depois outra vez, e outra. Juro! ninguém estava notando!!! Pensei em chamar a atenção mas tive a impressão que ninguém ia se importar por ser uma tartaruga e não um saco plástico, então resolvi desfrutar sozinha da sua companhia e me apropriar do seu recado. 
Chegando em casa, fui buscar meu livro pra traduzir a mensagem que acabara de receber. E aí vai.

"Tartaruga...Grande Mãe,
Alimente meu espírito
Agasalhe meu coração
Para que eu possa servi-la também.

Nos ensinamentos dos índios norte-americanos,a Tartaruga é o símbolo mais antigo do Planeta Terra.É a personificação da energia das deusas e tb da eterna Mãe ,da qual derivam nossas vidas.Nós nascemos das entranhas da Terra e nossos corpos retornarão para a necessidade de honrar a Terra e respeitar a necessidade de dar e receber,dando para a Terra aquilo que dela recebemos. 
A Tartaruga possui uma carapaça similar àquela empregada há milênios pela Terra para proteger-se das profanações das quais é vítima. A proteção da Mãe Terra manifesta-se nas mudanças que ocorrem em sua superfície,nos abalos sísmicos,na atividade vulcânica,que faz surgir novas porções de Terra e nas alterações climáticas 
Assim como a Tartaruga,vc tb possui carapaças que o protegem da inveja,do ciúme,das agressões e da inconsciência alheia.O Totem da Tartaruga o ensina, por seus padrões de comportamento, a saber se proteger. Se você está sendo incomodado pelas palavras e ações dos outros é tempo de se recolher dentro da sua carapaça para demonstrar que vc não pretende aceitar estes ataques passivamente.É hora de lançar um sinal de alerta. 
Se você tirou a carta da Tartaruga,é sinal de que você está sendo convidado a honrar a fonte curadora que existe em seu interior,a buscar uma conexão maior com a Terra,e a observar sua própria situação atual com compaixão maternal. Use as energias da Terra e da água -as duas moradas da Tartaruga-para ver sua situação presente de vida fluindo de maneira harmoniosa e para fincar firmemente seus pés na Terra num lugar de poder. 
A Tartaruga é uma excelente professora da arte de encontrar uma ligação maior com a Terra. Usando o poder de cura da Tartaruga,você será capaz até mesmo de superar sua tendência de viver no Mundo da Lua.Aprendendo a manter os pés no chão ,vc será capaz de focalizar melhor seus pensamentos e suas ações,aprendendo a relaxar,a desacelerar e a encontrar a paz que possibilitará a concretização de seus ideais 
Com sua calma proverbial a Tartaruga o adverte do risco de tentar "apressar a corrente do rio" .O milho colhido antes do Tempo não atinge a plenitude,mas se deixarem que ele amadureça em seu próprio ritmo,ele se desenvolverá bastante e servirá de alimento para um número maior de pessoas 
A Tartaruga enterra seus pensamentos na areia ,como faz com seus ovos,deixando ao sol a missão de choca-los.Isto a ensina a amadurecer suas idéias antes de deixa-lás virem a Luz.Lembre se da antiga fábula da Lebre e da Tartaruga e decida por si mesmo se você vai se alinhar com a Tartaruga ou coma sua oponente .Ser grande ,forte e rápido não são necessariamente os melhores requisitos para se atingir um objetivo,pois quando vc chegar à sua meta podem lhe perguntar onde esteve, e talvez vc não seja capaz de responder esta pergunta.Neste caso chegar prematuramente à meta pode fazê-lo sentir se muito imaturo.Siga o fluxo da correnteza do rio. 
Se vc tirou a carta da Tartaruga isto é um prenúncio de um período na qual vc terá uma conexão maior com o poder da Terra e da Deusa Mãe que reside em seu interior. Não importa em que situação s emeteu,se vc pedir ajuda à Deusa Mãe ela resolverá o seu problema e trará abundância à sua vida."
Do Livro:Cartas Xamânicas de Jamie Sams & David Carson

Pois é, mais uma vez preciso e direto o recado. 

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Paraty



Rua do Fogo.

Soube depois, antiga rua de amores.
Andei por ali desavisada apenas sintonizando a energia das pedras do calçamento.

A caminho do pier, espiava as portas das casas e imaginava seus segredos. Algumas, embora conservadas, pareciam ocas, quase tristes, sem alma, sem gentes, sem fogo.
Mas nem mesmo esse clima de cenário consegue evitar que eu me emocione a cada vez que perambulo pelas ruas de calha por onde o mar se espraia nas marés de Paraty.

Não esperava te encontrar ali, já que passara pela cidade semanas antes. Mas num susto te vi passar, tão distraído quanto eu. 
Passei a caminhar a distância, te acompanhando sem pressa.
Te vi parar e admirar os telhados onde plantas teimosas crescem no limo das telhas. 
Passei por você novamente sem chamar a atenção. Entrei numa rua e contornei o quarteirão tentando adivinhar seu caminho. Esperei te surpreender na próxima esquina de onde vinha o som de um acordeon melodioso, um convite naquela manhã cinzenta e de ar frio e úmido. 
Eu estava certa, lá estava você observando a musica. A moça que tocava o instrumento era bonita e tinha um sorriso sereno que não se desfazia nem por um segundo. Eu parei misturada às pessoas e você, no seu tempo, não percebeu minha presença.

Logo despertei do desejo que era tão real quanto sua presença.
De fato, você não estava ali. 
Segui um tanto melancólica como como se faz nesses momentos, mas feliz de ter partilhado com você aqueles poucos instantes. 
Durante toda a viagem, você me tornou a passar. 
Tão transparente e presente quanto a maresia.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Borges explica

Naquele preciso momento o homem disse:
"O que eu daria pela felicidade
de estar ao teu lado na Islândia
sob o grande dia imóvel
e de repartir o agora
como se reparte a música
ou o sabor de um fruto."
Naquele preciso momento
o homem estava junto dela na Islândia.

Nostalgia do Presente
J.L.Borges

domingo, 14 de agosto de 2011

Silêncio

De dentro, a velocidade do sangue me acorda.
Não importa quantos anos ainda viva.
Não importa o quanto já aprendi.
Ainda sou fraca,
ainda sonho,
ainda me perco,
esqueço.
A lágrima estala na página lida
A censura vem de dentro como se eu me olhasse no espelho.
Ainda fecho os olhos esperando q tudo mude ao acordar amanhã.



domingo, 31 de julho de 2011

Valei-me Cortazar!


Instruções para subir escadas


Ninguém deve ter deixado de reparar que frequentemente  o chão se dobra de uma maneira que uma parte sobe em ângulo reto com o plano do chão, e, em seguida, a próxima parte está colocada de maneira paralela a esse plano, dando vez a uma nova perpendicular, procedimento que se repete em espirais ou em linhas desiguais até alturas extremamente variáveis. Agachando-se e colocando-se a mão esquerda em uma das partes verticais e a mão direita na parte horizontal correspondente, logra-se a posse momentânea de um degrau ou escalão. Cada um desses degraus, formados, como pode-se ver, por dois elementos, está situado um pouco mais acima e mais adiante que o anterior, princípio que dá sentido à escada, já que qualquer outra combinação produziria formas talvez mais belas ou pitorescas, mas incapazes de transportar de um térreo a um primeiro andar.
As escadas se sobem de frente, pois de costas ou de lado são particularmente incômodas. A atitude natural é manter-se em pé, os braços dependurados sem esforços, a cabeça erguida, mas não o suficiente para que os olhos deixem de ver os degraus imediatamente superiores ao que se pisa, e respirando-se lenta e regularmente. Para subir uma escada deve-se começar por levantar essa parte do corpo situada à direita e abaixo, quase sempre envolta por couro ou camurça, e que, salvo exceções, cabe exatamente no escalão. Colocada no degrau dita parte, que, para abreviar, chamaremos de pé, recolhe-se a parte equivalente da esquerda (também chamada pé, mas que não se deve confundir com o pé anteriormente mencionado) e, levando-a à altura do pé, faz-se que continue até colocá-la no segundo degrau, com o que, neste, apoiará o pé, e no primeiro apoiará o pé. (Os primeiros degraus são os mais difíceis, até adquirir-se a coordenação necessária. A coincidência de nomes entre o pé e o pé torna difícil a explicação. É especialmente importante cuidar em não levantar ao mesmo tempo o pé e o pé.)
Chegando-se dessa forma ao segundo degrau, basta repetir alternadamente os movimentos até encontrar-se com o final da escada. Pode-se sair dela facilmente com um golpe ligeiro do calcanhar que o fixa em seu lugar, de onde não se moverá até o momento de descer.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Deixar acontecer

Me perdi
procurando respostas.
Me esqueci,
você não tem explicação.
Veio com o vento,
e no vento vai partir.
Não tem linha que te prenda
feito pipa em mão de menino.
Se tento te definir,
você evapora em silêncio
para depois,
aparecer novamente e permanecer por perto.
Parece esperar que eu aprenda a lição mais difícil.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O bom e velho Chico

O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo