domingo, 3 de março de 2013

Grito

De dentro, o nó que aperta o coração
quer estourar as paredes da caixa.
Há tempos atado
sem eco,
sem ar,
sem luz,
sem.

Se o peito gritar, GRITAR! você vai escutar?
Ou surdo, vai seguir indiferente?

Dor!
Não me cabes mais.

Dor!
Sem nome,
sem voz,
aprisionada e coagida a deixar de ser.

Dor!
Obrigada a fingir que não dói.
E até fingiu, obediente e iludida.

Não!
As máscaras não te esconderam tão bem.
Os anestésicos não te esvaziaram nem uma gota do amor aprisionado.
Suas ondas agora, devoram a areia por baixo dos muros de pedra.
O punho bate na parede sangrando as mãos até abrir uma janela.
E o som prisioneiro da minha voz sairá.
Vai ecoar ou seguir no silencio?
Não importa.
Só precisa gritar.
Gritar que ainda está aqui.
O vento me acorda.
Olho pela escotilha e lá está ela novamente.
A Praia.
Quase um ano depois, os acontecimentos vão fazendo aniversário.
Um após o outro.
Um nome, um bar, um cartão, uma morte, uma festa.
Me transportam.
Me embalam.
Me corrompem.
Me convencem de que a atmosfera é de retorno.
Mas olho para a areia e a praia está vazia.
Devo ter voltado um dia antes.
É isso. Fico aqui mais um dia.
A espera da hora certa de desembarcar.
Só mais um dia.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A sua mão

Minha mão? 
Não minha, 
mas mão minha.
De dedos longos
E unhas estreitas 
como a minha.
Minha mão.
Mas não minha.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Onde antes as palavras dançavam
contando uma história improvável,
paginas passam num folhetim de névoa
que distrai os dias no suspense do enredo.
Onde antes a musica,
agora o som seco da gota levando a tinta.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Ruidos de movimento


Frenesi de fim de ano, fim de mundo, fim de mais um ciclo.
O vento, a temperatura, as obrigações.
Os amigos, as festas, as comidas.
A garçonete nervosa, o fetuccine ruim, a dor nas costas.
Nada consegue abafar o ranger das dobradiças da minha bagagem.
A peça que falta continua debilitando a engrenagem.
Fazendo o silêncio ser mais dolorido.



quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Flash

Ao volante, em mais um dia a caminho do trabalho, pensava nela.
Onde andará?
O que estará fazendo?
Será que ainda pensa nele?
As buzinas o trazem de volta.
Esquece.
Por quanto tempo esquecerá?