quarta-feira, 10 de abril de 2013

Manuel "simplicidade" de Barros


A PEDRA

Pedra sendo
Eu tenho gosto de jazer no chão.
Só privo com lagarto e borboletas.
Certas conchas se abrigam em mim.
De meus interstícios crescem musgos.
Passarinhos me usam para afiar seus bicos.
Ás vezes uma garça me ocupa de dia.
Fico louvoso.
Há outros privilégios de ser pedra:
a - Eu irrito o silêncio dos insetos,
b - Sou batido de luar nas solitudes.
c - Tomo banho de orvalho de manhã,
d - E o sol me cumprimenta por primeiro.


...em tempos de caos, a simplicidade é a resposta

quarta-feira, 20 de março de 2013

365

Lá se foi.
Número marcado
Tempo acabado
Esperança manca
Três pontos perdidos na história...

domingo, 3 de março de 2013

Grito

De dentro, o nó que aperta o coração
quer estourar as paredes da caixa.
Há tempos atado
sem eco,
sem ar,
sem luz,
sem.

Se o peito gritar, GRITAR! você vai escutar?
Ou surdo, vai seguir indiferente?

Dor!
Não me cabes mais.

Dor!
Sem nome,
sem voz,
aprisionada e coagida a deixar de ser.

Dor!
Obrigada a fingir que não dói.
E até fingiu, obediente e iludida.

Não!
As máscaras não te esconderam tão bem.
Os anestésicos não te esvaziaram nem uma gota do amor aprisionado.
Suas ondas agora, devoram a areia por baixo dos muros de pedra.
O punho bate na parede sangrando as mãos até abrir uma janela.
E o som prisioneiro da minha voz sairá.
Vai ecoar ou seguir no silencio?
Não importa.
Só precisa gritar.
Gritar que ainda está aqui.
O vento me acorda.
Olho pela escotilha e lá está ela novamente.
A Praia.
Quase um ano depois, os acontecimentos vão fazendo aniversário.
Um após o outro.
Um nome, um bar, um cartão, uma morte, uma festa.
Me transportam.
Me embalam.
Me corrompem.
Me convencem de que a atmosfera é de retorno.
Mas olho para a areia e a praia está vazia.
Devo ter voltado um dia antes.
É isso. Fico aqui mais um dia.
A espera da hora certa de desembarcar.
Só mais um dia.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A sua mão

Minha mão? 
Não minha, 
mas mão minha.
De dedos longos
E unhas estreitas 
como a minha.
Minha mão.
Mas não minha.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Onde antes as palavras dançavam
contando uma história improvável,
paginas passam num folhetim de névoa
que distrai os dias no suspense do enredo.
Onde antes a musica,
agora o som seco da gota levando a tinta.